Músico acaba de lançar nos EUA seu segundo álbum, 'All the lost souls'. Seu disco de estréia vendeu até agora 2,6 milhões de cópias nos EUA.

Muitos
compositores fariam qualquer coisa para passar pelo apuro em que
James Blunt se encontra: famoso por uma música - e
somente uma. O sucesso, "You're beautiful" é uma balada
singela e ingênua sobre o encontro furtivo com uma
ex-namorada no metrô. Os críticos torceram o nariz,
mas a canção ficou em primeiro lugar nas paradas, e
ajudou o álbum inaugural de Blunt, "Back to Bedlam", a
vender 11 milhões de cópias no mundo inteiro.
Em um misto, no ano passado, entre música de casamento,
trilha sonora para a televisão e música de fundo
tocada em supermercados, "You're beautiful" foi mais do que
popular. Foi onipresente.
Esse tipo de sucesso pode ser a desgraça para um novo
artista. Até mesmo Blunt, que acaba de lançar nos EUA
o seu segundo álbum, "All the lost souls", e cujas
apresentações no Highline Ballroom, em Chelsea, nessa
semana tiveram lotação esgotada, duvida que consiga
repetir o feito.
"Vendi um número absurdo de cópias do primeiro
álbum", disse ele recentemente em um restaurante transado
que serve bife com fritas, onde todos os olhares femininos pareciam
se dirigir a ele enquanto entrava no local. "É
impossível colocar o segundo disco para competir com aquele
número. É simplesmente
impossível".
O cenário resulta em um dilema para a
gravadora de Blunt em seu período de ressaca pós
"You're beautiful": é melhor ir devagar e com calma para
formar Blunt como um artista de carreira ou apostar todas as fichas
em outro sucesso avassalador?
Aquele primeiro sucesso estrondoso foi obtido com relativa
facilidade. "Back to Bedlam", lançado em 2004 na
Grã-Bretanha, país natal de Blunt, e nos Estados
Unidos no ano seguinte, tem traços de Coldplay em seus
grandes e inflados refrãos e vocais enérgicos em
falsete.
Além
disso, Blunt tinha a seu favor um visual bonito e atraente,
incrementado pela barba por fazer, e um passado intrigante.
Ex-oficial do exército britânico em Kosovo, que
também foi um dos guardas pessoais da rainha Elizabeth, foi
convidado pela produtora e compositora Linda Perry (que trabalhou
com Christina Aguilera e Pink) para ser o primeiro artista de sua
gravadora, a Custard.
Na Grã-Bretanha, houve dois singles antes de "You're
Beautiful". Mas a Atlantic Records, responsável pela
distribuição de Blunt nos EUA em parceria com a
Custard, lançou a música primeiro. Embora a
canção inicialmente não tenha ganhado destaque
nas paradas, uma onda de licenciamentos comerciais fez com que sua
presença na televisão fosse inevitável.
Até hoje, o álbum vendeu 2,6 milhões de
cópias nos Estados Unidos.
Na análise de Perry, aquele licenciamento desenfreado saiu
pela culatra: "You're Beautiful" passou a ser odiada e amada na
mesma proporção. A reação negativa foi
pesada. Blunt não saía mais das páginas dos
tablóides – sua tendência a ser fotografado ao
lado de jovens mulheres em trajes diminutos não ajudou
– e ele foi cruelmente ridicularizado pela imprensa
especializada em música - o disco de Blunt foi eleito o
pior do ano pela revista britânica de música
"NME".
Blunt assume uma postura tranqüila na reação ao
tratamento que recebeu da imprensa, mas não esconde a sua
reputação de playboy. Vale mencionar que ele mora na
ilha espanhola de Ibiza, famosa por boates gigantes e
badaladas.
Se "All the lost souls" pode nos antecipar alguma coisa, a ridicularização praticamente não atingiu o músico. O álbum quase não foge da fórmula que fez de "Back to Bedlam" um enorme sucesso de vendas: guitarras e piano suaves, vocais sussurrantes, carga melodramática e um leve toque de morbidez.
Blunt
não se coloca acima da idéia de apostar em grandes
sucessos. Uma das novas músicas de mais peso, "Carry you
home", foi composta com Max Martin, produtor e compositor sueco da
linha pop, responsável por sucessos lançados por
Backstreet Boys, Britney Spears e Kelly Clarkson.
Segundo Cohen, para evitar pirataria, ele não enviou as
músicas de "All the Lost Souls" para licenciamento antes do
lançamento do álbum. Mas agora que o disco
está disponível, a saturação pode
começar.
"Vamos licenciar esses discos em filmes, na TV e em comerciais",
disse ele. "Pode acreditar em mim quando digo que você vai
escutar esses discos".
Postado Por Tiago Ribeiro
às 08:50